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Qual a importância do psicólogo no processo de gastroplastia?

Qual a importância do psicólogo no processo de gastroplastia?
Texto Elaborado por Ana Beatriz Cintra

Desmistificar a idealização da cirurgia é trabalho do psicólogo.
A demanda por cirurgias de redução de estômago virou tão corriqueira quanto retirar um apêndice. Embora a técnica médica já esteja dominada, há riscos para os pacientes, só que de outra ordem: a psicológica. Tanto que o Conselho Federal de Medicina baixou uma Resolução que exige do médico a avaliação multidisciplinar do quadro clínico geral do paciente antes de realizar a operação. Os laudos avaliam se o individuo está saudável psiquicamente para enfrentar as mudanças que vai vivenciar como resultado de sua escolha.
A obesidade, por ser um problema determinado por múltiplos fatores necessita de um tratamento multidisciplinar dentro de uma perspectiva psicossomática. Neste sentido, a preocupação central é emagrecer o indivíduo, mas considerar a experiência pessoal e particular de cada um enquanto obeso, lembrando sempre da qualidade de vida. A operação não só altera o corpo físico, mas precipita uma série de transformações que afetam as relações do indivíduo consigo próprio e com os outros.
A avaliação psicológica, pré-cirúrgica, tem a função de conhecer melhor o paciente no campo psicológico-emocional, seus hábitos e padrões de comportamento com o objetivo de conscientização de que a cirurgia não é um processo mágico, no qual o sujeito se mantém passivo sendo emagrecido, mas implica sim em um ônus que marca principalmente o campo psíquico.

O modo como cada obeso se relaciona com a comida é único e é importante ser detectado. Assim o psicólogo pode trazer à consciência o lugar ocupado pelo alimento na vida de cada indivíduo, para que possibilite mudanças na relação obeso-comida. O vínculo com o alimento ou com o ato de comer pode ser marcado por diversos sentimentos e emoções. Este modo relacional, se não conscientizado e orientado, pode ser deslocado para outro objeto, pois quando a ingestão é excessiva, ela é bloqueada pelo processo mecânico instalado cirurgicamente.
Porém não é apenas a tendência individual ao comportamento aditivo que é investigada. Também nos atentamos para a presença de sintomas de depressão associada ou não, ao comportamento de comer, através da entrevista clínica e de aplicação do teste de investigação focado para constatação de distúrbios alimentares e comportamentos purgativos que podem comprometer o resultado cirúrgico.
No pós-cirúrgico o foco terapêutico passa a ser a nova imagem corporal e as repercussões sobre a personalidade do indivíduo. Liberto da camada de gordura “protetora”, conflitos mais básicos tendem a emergir. Essa nova apresentação exige do indivíduo uma adaptação e principalmente a consideração do corpo até então ignorado ou negado. A maioria dos indivíduos gordos não possui espelho que mostrem o corpo todo e suas identidades ficam restritas às próprias faces. O corpo gordo serve também de metáfora para a força e a grandiosidade que reflete a concepção inconsciente que o obeso tem de si como auto-suficiente e ilimitado. O tratamento global para a obesidade implica na reparação dessa cisão que se expressa externamente, mas reflete todo um funcionamento psíquico de divisão.
Observa-se que muitos obesos não conseguem abrir mão de sua forma e muito menos dos benefícios que a "capa" de gordura fornece enquanto defesa. Há indivíduos que submetidos à operação tendem a adaptar-se à alimentação pastosa e/ou líquida de alto teor calórico, boicotando o resultado cirúrgico. Ou em casos mais graves, força a hiperingesta alimentar, chegando a provocar fistulas. Casos assim, mostram, claramente a necessidade do trabalho multidisciplinar, mas poucos são os pacientes que se comprometem com o tratamento pós-cirúrgico multidisciplinar, a maior parte permanece no papel passivo e projeta o insucesso na técnica cirúrgica, isentando-se das responsabilidades sobre a vivência transformadora da criação de uma nova identidade.
Assim a preocupação do psicólogo não é discutir qual a etiologia da obesidade, mas poder considerá-la como um problema de saúde, que necessita de tratamento clínico e cirúrgico, que considere o portador da obesidade; que favoreça uma reconciliação com o corpo até então rejeitado e agredido, reflexo de um processo interior envolto em conflitos.


Vou aguentar os primeiros meses?
Texto Elaborado por Isabel C. M. Paegle

O conteúdo do novo estômago no primeiro mês será de líquidos, minguas, alimentos pastosos e do ponto de vista emocional os problemas ficam na peneira, os alimentos precisam ser expurgados de seus componentes agressivos através do cozimento para que tenham a coragem de comê-lo, o alimento passa ser uma ameaça simbolicamente, algo que possa lhe causar um mal interno, uma fístula, um vazamento de líquido, que na fantasia é o medo de ser atacado por algo ruim.

Nesta 1ª fase do 1º mês as pessoas se sentem socialmente deslocada, ou seja, sente-se diferente não podendo participar da mesa como os outros. Em festas, aniversários, precisam levar o seu “caldinho”, o que dá uma sensação de estar doente; o que ajuda é que o resultado é visível logo na 1ª semana.

Na terceira semana o paciente já não agüenta mais as sopas e se sentem se afogando em seus caldos, neste momento alguns começam a sentir o arrependimento e intensa angústia, e se dá conta que dependendo da técnica é um procedimento irreversível, muitas vezes esta realidade potencializa ainda mais o sentimento de angústia, desespero ocasionando um estado de depressão.
Por isso vemos e acreditamos que só a avaliação psicológica é muito pouco, frente ao que o paciente ainda terá que percorrer com este novo estilo de vida.

Verifica-se também que antes da cirurgia os pacientes aliviavam suas angústia, medos e todos os sentimentos já citados neste trabalho com a gratificação de saborear o alimento.

Logo após a cirurgia, no hospital, sentem-se fragilizados com soro, medicação a todo momento e sem nenhuma gratificação, pois não pode se alimentar. Esta cirurgia tem este diferencial agravante para quem gosta e tem prazer em comer.


Escolhas
Texto Elaborado por Tatiana Melo Ribeiro Bigoto

Vivemos flertando com a vida, esse lugar onde as coisas acontecem e onde podemos experimentar as emoções
Viver é fazer escolhas, eu tenho certeza que você já fez muitas hoje: teve que decidir se ficava mais cinco minutos na cama e chegava atrasado no trabalho, qual roupa você ia vestir, se tomava um belo café da manhã ou não. Você escolheu se respondia os olhares dele(a), escolheu o(a) médico(a) que fez ou fará sua cirurgia, qual procedimento que irá ou que se submeteu.
Nem sempre é fácil escolher, pois quando escolhemos uma coisa perdemos outras, um exemplo disso é quando vamos a uma sorveteria e entre 50, 100 opções de sabores, temos que escolher apenas dois ou três ....... pode parecer estranho mas esse fato é gerador de muita ansiedade que só passa quando sentamos para saborear a escolha que fizemos e nos satisfazemos.
Até quando decidimos não agir em determinada situação, não fazer absolutamente nada, estamos fazendo uma escolha, a escolha de ficar passivo.
Decidir é o sinal da liberdade, mas é uma liberdade que exige disposição para duas coisas: assumir responsabilidades e exercitar a renúncia, pois quando escolhemos um caminho ao mesmo tempo abrimos mão de muitos outros. Vivemos na dualidade de, por um lado termos a irresistível atração pelo novo e, por outro lado, temos o conforto e segurança que o mundo conhecido nos oferece, que a dinâmica conhecida nos proporciona.

E então temos que escolher entre dois caminhos: o da aceitação que o acomoda ou o da guinada para uma nova área que a princípio pode angustiar.

Quando optamos ou estamos dispostos a optar por uma intervenção cirurgia para tratar a obesidade, muitos questionamentos surgem, muitas dúvidas, medos aparecem.
E se finalmente der certo após tantas dietas? O que fazer sem a desculpa da obesidade que muitas vezes é usada por nossa falta de coragem de fazer determinadas coisas, de se mostrar, de falar não. E então temos que escolher: Faremos a cirurgia ou não. Após ter optado vamos ter que escolher, selecionar o que comer. E agora???

Quem não decide aceita as decisões da vida, ou seja, dos outros. Ao se colocar como espectador de sua própria vida você acaba por se tornar impotente para construir seu próprio destino. O preço da não escolha é a impotência e o preço pela poder é a responsabilidade.
Se você se sente triste com seu corpo, com seu peso, preocupado com as complicações causadas pela obesidade, talvez, seja o momento de rever seus objetivos e suas motivações.
Lembre-se: só lutamos pelo que sentimos que é importante.
Você é importante para você ou não?
Segundo Annis , escritora francesa: “A vida se estreita ou se amplia na proporção de nossa coragem”. Assuma as rédeas de sua vida e seja feliz.
Seguir em busca de um objetivo é comprometer-se com um sonho, senão, não vale a pena. Esse comprometimento deve se traduzir em esforço, persistência, determinação e muito trabalho. É pura ilusão achar que o médico ou que a cirurgia fazem milagres. A equipe médica e a cirurgia vão ajudar muito, mas como tudo na vida você também deverá fazer a sua parte seguindo as orientações dadas por toda a equipe: médicos, nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas.
A cirurgia é uma ótima opção para aqueles que já tentaram diversos modos de emagrecer e não conseguem, MAS, Milagres não existem.Você também precisa escolher fazer a sua parte e tenho certeza que você merece fazer isso por você mesmo.

Desejar e se comprometer é acreditar em seu potencial, acreditar no que decidiu e encarar as coisas de forma mais leve e ver o positivo. É saber que você esta investindo em algo, em alguém, a pessoa tão importante que é você.
Encarar as dificuldades de uma intervenção cirurgia para o tratamento da obesidade é uma questão de ponto de vista, se por um lado é difícil encarar a situação, a dieta, os primeiros meses por outro lado haverá a conquista que você tanto busca.
Você não irá simplesmente “ganhar” um corpo mais saudável, mais adequado para suas expectativas, mas sim conquistar o que tanto desejou, o que aumentará o valor do prêmio recebido pelo esforço.

Vou entalar?
Texto Elaborado por Isabel C. M. Paegle

Em geral os pacientes operados apresentam a preocupação com o engolir em virtude da possibilidade de o alimento voltar por falta de espaço no estômago ou entalar no anel ou na banda.
Do ponto de vista emocional o engolir é incorporar, e os pacientes operados não poderão engolir os alimentos sem estarem bem triturados, como também as emoções e sentimentos, pois a pessoa deverá desenvolver um treino baseado na tolerância, paciência e frustração, então comer e emoção estão caminhando juntos e se esta relação estiver saudável a recuperação e a nova vida com os novos hábitos irão caminhar bem. Do contrário o paciente poderá relutar, vomitar, entalar e prejudicar a cirurgia e consequentemente sua qualidade de vida, e ressurge o sentimento de fracasso e decepção que o gordinho carrega ao longo da sua trajetória de vida e se sente incapaz de dar conta
Sabemos que a primeira função do estômago é aceitar os alimentos que provem de fora e que deve digerir, assim com o anel, a banda, ou seja, com a restrição mecânica da cirurgia é um mecanismo imposto e o obeso não terá como tirar a qualquer momento com é feito com a medicação para emagrecer, “AH! Sábado vou no churrasco, vai ter muita comida e bebida não vou tomar o remédio!”A pessoa deverá ter consciência do novo estilo de vida e diferentes modo de se relacionar com o mundo, se não a pessoa pode se frustar.
No âmbito psíquico o estômago simboliza a capacidade de receber e guardar, os sentimento do mundo das emoções e sensações, como dizem alguns ditados: “pegar marido pela boca”, “fome de vingança”, “fulana é um pão”, “estou com o estômago embrulhado”, “ estou com fome de fulano”, etc e estes sentimentos podem desencadear problemas estomacais somáticos que dizem respeito da incapacidade de lidar com seus aborrecimentos e com a agressividade, essa descompensação se dá pela carência de uma base segura de auto-confiança e da sensação fundamental de proteção para confrontar com a independência .
Já o mastigar para não entalar, é um ato agressivo, tritura os alimentos associado a saliva, que contém os próprios ácidos para facilitar a digestão e de maneira geral as pessoas não tem este hábito de mastigar sobrecarregando o estômago.
As mudanças na vida do paciente já iniciam na boca e na mente.

Nesta 1ª fase do 1º mês as pessoas se sentem socialmente deslocada, ou seja, sente-se diferente não podendo participar da mesa como os outros. Em festas, aniversários, precisam levar o seu “caldinho”, o que dá uma sensação de estar doente; o que ajuda é que o resultado é visível logo na 1ª semana.

Na terceira semana o paciente já não agüenta mais as sopas e se sentem se afogando em seus caldos, neste momento alguns começam a sentir o arrependimento e intensa angústia, e se dá conta que dependendo da técnica é um procedimento irreversível, muitas vezes esta realidade potencializa ainda mais o sentimento de angústia, desespero ocasionando um estado de depressão.
Por isso vemos e acreditamos que só a avaliação psicológica é muito pouco, frente ao que o paciente ainda terá que percorrer com este novo estilo de vida.

Verifica-se também que antes da cirurgia os pacientes aliviavam suas angústia, medos e todos os sentimentos já citados neste trabalho com a gratificação de saborear o alimento.

Logo após a cirurgia, no hospital, sentem-se fragilizados com soro, medicação a todo momento e sem nenhuma gratificação, pois não pode se alimentar. Esta cirurgia tem este diferencial agravante para quem gosta e tem prazer em comer.



Psicólogas:

Isabel C M Paegle – CRP 06/49276-1
- Especialista em Psicologia Clínica.
- Pós-graduanda do Curso: Distúrbios Alimentares e Cirurgia da Obesidade - Faculdade de Medicina do Hospital das Clínicas - São Paulo.
- Membro Fundadora do INBIO - Instituto Brasileiro Interdisciplinar da Obesidade.
- Membro Associado da APEP-Associação de Psicoterapia e Estudos Psicanalíticos.
- Psicóloga do Centro Avançado de Gastroenterologia e Cirurgia da Obesidade Gastro Obeso Center – São Paulo.

Tatiana Melo Ribeiro Bigoto – CRP 06/58453-0
- Especialista em Terapia Sexual pela Faculdade de Medicina do ABC/ SBRASH.
- Pós –graduanda em Terapia Familiar e de Casal - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
- Título de Especialista em Sexualidade Humana pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.
- Psicóloga do Centro Avançado de Gastroenterologia e Cirurgia da Obesidade Gastro Obeso Center – São Paulo.
- Título de Especialista em Sexualidade Humana pela Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.

Ana Beatriz Cintra – CRP 06/66071
- Psicóloga Clínica.
- Pós- graduanda em Cinesiologia pelo SEDES- SP.
- Psicóloga do Centro Avançado de Gastroenterologia e Cirurgia da Obesidade Gastro Obeso Center – São Paulo.

 
 
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