Entrevistas :: Pacientes GOC - Gastro Obeso Center

Família Franzoti

 

 
Entrevista

Maria Angélica Franzoti (mãe) e Adriano Franzoti (filho) na foto ao lado.


Adriano Franzoti, 22 anos (filho)

P. Há quanto tempo você tem problemas com excesso de peso?

R. Desde a infância até a adolescência. Aos 19 anos resolvi fazer a cirurgia.

P. Teve dificuldades com os amigos na infância e adolescência?
R. Dizer que não tive é mentira; sempre tem limitações, mas não era aquela pessoa problemática devido à obesidade. Tinha limitações principalmente com roupas e com os padrões da sociedade em si.

P. Como era sua alimentação?
R. Comia bem, em excesso, muito doce também.
 
P. Há quanto tempo fez a cirurgia?
R. Há três anos e quatro meses, foi no dia 27 de agosto de 2002.

P. Como foi sua recuperação pós-cirurgia?

R. Foi bem bacana, tanto que eu entrei numa terça-feira e sai numa quinta-feira do hospital. Em uma semana já havia perdido 17 kg; em um mês, 37 kg; em seis meses, 60 kg e, em um ano, 110 kg. Os outros 10 kg fui perdendo ao longo do tempo. Fiz cirurgia plástica no abdômen, perna e levantamento de glúteo.

P. Você que já passou por esta experiência, indicaria para outras pessoas?
R. Indico sim porque, hoje em dia, é a cura para obesidade mórbida. Por enquanto, é o método que faz com que a pessoa crie outros métodos alimentares, mude seu estilo de vida e não se prive das coisas. No regime, você fica limitado para o resto da vida; já na cirurgia você se reeduca e se mantém em definitivo.

P. Você foi o primeiro da sua família a operar. Teve apoio? Afinal, eles não tinham feito ainda...
R. Eles não queriam por causa do medo da cirurgia e não da redução do estômago e também pela quantidade de peso e anestesia que eu teria que tomar. Relutaram um pouco, mas depois viram que faz bem e todos decidiram fazer também.


Maria Angélica Franzoti (mãe)

P. Há tempo você tinha problemas com obesidade?
R. Eu fui uma criança obesa, depois dos 13 anos fiz uma dieta rigorosa, emagreci muito e consegui manter meu peso mesmo após o nascimento dos meus filhos. Depois de um tempo comecei a engordar e nenhuma dieta mais fez efeito.

P. Só os seus hábitos alimentares eram responsáveis pelo excesso de peso?
R. Em parte sim, porque depois que você pára de comer, emagrece, mas não é só isso. Eu comia muito errado, em horários errados e coisas erradas, muito doce. Comia mais à noite do que durante o dia e isso me prejudicava, não sabia administrar o problema da alimentação. Antes da cirurgia, tentei outras alternativas como dietas, endocrinologista, chás, sucos, medicamentos naturais... coisas que, acho, todo obeso vai atrás e tenta. Minha cirurgia foi feita dia 13 de julho de 2003.

P. Como foi a recuperação pós-cirurgia?
R. Eu me recuperei muito bem; depois de três dias eu nem sentia que tinha passado por uma operação. Fazia atividades físicas normais. Eu sentia falta do alimento, mas você tem que estar preparado porque sabe que essa fase durará algum tempo, mas não tive dificuldade nenhuma. Não precisei de cirurgia plástica. Fiz a banda ajustável.

P. Você indicaria a cirurgia para outras pessoas?
R. Eu indico para todas as pessoas que tenham problema de obesidade porque é muito complicado fazer dieta, emagrecer e depois engordar de novo, viver uma vida neurótica, contando calorias, por vezes com insônia por causa de medicamentos. Para mim e para minha família foi a cura da obesidade.

P. Houve influência da família antes da cirurgia no seu excesso de peso?
R. Acredito que houve influência porque você entra no dia-a-dia, vive como família e todos partilham as refeições. Mas quando um fez a cirurgia e deu certo, todos decidimos partir para essa cura.


Antonio Carlos Franzoti (pai)

P. Por quanto tempo você teve problemas com excesso de peso?
R. Até os 13 anos. Dos 13 até os 32 eu fiquei estável, depois comecei a engordar novamente e, aos 46 anos, cheguei no ponto máximo, 245 kg.

P. Seus hábitos alimentares eram o principal motivo do excesso de peso?
R. Sem dúvida. Minha rotina era normal como a de qualquer ser humano, mas os volumes eram diferentes.

P. Antes da cirurgia você tentou alguma dieta?
R. Talvez eu seja um dos maiores “tentadores” de regime do mundo. A cirurgia à qual me submeti foi banda gástrica, feita há quase dois anos e meio.

P. Após a cirurgia você teve alguma dificuldade?
R. Não. Muito pelo contrário. Quanto à cirurgia plástica eu até precisaria fazer, mas não pretendo.

P. Teve algum problema de saúde que o levou a fazer a cirurgia?
R. Um ano antes da cirurgia eu pesava cerca de 200 kg, foi localizado um problema no meu rim, uma espécie de câncer supra renal, tirei, e nesse processo perdi uns 30 kg, uns quatro meses depois. Depois disso resolvido, engordei 70 kg, minha qualidade de vida aumentou violentamente, comia e bebia bem.

P. Você indicaria a cirurgia?
R. No início falava mais sobre isso, mas agora eu desconverso. Hoje tenho 115 kg., emagreci 130 kg. desde a cirurgia.


Guilherme Franzoti, 21 anos

P. Quando começaram seus problemas com o excesso de peso?
R. Após os 11 anos eu comecei a ter problemas com a obesidade.

P. E quanto aos amigos?
R. Com os amigos foi normal. Um pouco antes da operação, que eu fiquei mais obeso, tive algumas complicações como andar de ônibus, etc, mas com os amigos sempre foi normal.

P. Quando foi realizada a sua cirurgia e quanto peso você perdeu?
R. Minha cirurgia foi dia 20 de dezembro de 2003, foi Capela, cheguei a pesar 126 kg, agora estou com 70 kg. e não fiz nenhuma cirurgia plástica.

P. Como eram seus hábitos alimentares?
R. Era muita besteira, lanches, doces, comia fora de hora, inclusive de madrugada.

P. Antes de optar pela cirurgia você tentou dietas?
R. Tentei algumas dietas com endocrinologistas, fiz tratamento por três ou quatro vezes. No começo dava certo, mas depois de algum tempo não dava mais e voltava a engordar tudo de novo.

P. Você acha que houve influência da família, já que todos tinham o problema da obesidade?
R. Com certeza ajudou muito, pois havia mais de uma pessoa operada e, com isso, até a alimentação mudou.

P. Depois da cirurgia, como foi sua recuperação?
R. Tive um problema, a cicatrização no corte fechou a passagem no estômago durante alguns dias e nem água eu conseguia tomar. Depois foi colocado um balão para expandir e resolver o problema.

P. Você indicaria a cirurgia como solução?
R. Eu indicaria porque tem pessoas que não têm mais jeito, que já estão muito obesas, não conseguem fazer uma dieta. Só não indicaria para pessoas que você vê que não há necessidade.
 

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