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Entrevistas :: Pacientes GOC -
Gastro Obeso Center |
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Entrevista
Irmão do Dr. Almino
Cardoso Ramos e operado pelo próprio.
P. Quando sentiu que era a hora de fazer a
cirurgia?
R. Sempre fui meio gordinho, desde criança. Na
adolescência só comia alface e suco de maracujá; foi a
única fase em que fui magro. Praticava esportes e me
esforçava, ao máximo, para não permanecer gordinho. Isso
por ter virado ponto de referência. “Perto daquele
gordinho” era a frase que mais ouvia. Não tinha
paqueras. Nessa época fechei a boca e emagreci. Com o
passar do tempo, vestibular, faculdade, parei de
praticar esportes e voltei a engordar. Só que engordei o
triplo do que era, cheguei a 112 kg, sendo que tenho
1,65 m de altura. Foi então que comecei a fazer exames
de colesterol, diabetes, e tudo estava alterado! Decidi
então que não dava mais! |
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P. Quantos anos você tinha nessa época?
R. Faz 1 ano; tinha 24 anos.
P. E sobre a decisão de fazer a cirurgia?
R. Optei pela cirurgia e em uma semana fiz todos os exames,
na semana seguinte estava na mesa de cirurgia.
P. E como
é ser operado pelo próprio irmão?
R. Deve ter sido a pior experiência para nós dois! Eu não
tinha medo da cirurgia, tinha medo que algo acontecesse
comigo durante a operação; em pensar como ele se sentiria,
como ficaria a cabeça dele. Isso me deixou bem
intranqüilo.Desci para o centro cirúrgico às 18h e às 22h30
já estava de volta ao quarto.
P. De lá para cá você emagreceu quanto?
R. Pesava 112 kg e hoje estou com 78Kg. Foram 34 kg.
P. Você chegou a fazer
acompanhamento psicológico para compensar essa fase?
R. Fiz em um período em que estava indo tudo bem com a
cirurgia, mas eu estava muito ansioso. Comecei a brigar
comigo e com a banda. Procurei um psiquiatra por uma
ansiedade que eu sempre tive, mas estava aumentando por eu
não estar podendo comer.
P. E como está sua qualidade de vida hoje?
R. Não tem comparação, a começar por poder entrar em uma
loja e comprar roupas. Eu usava tamanho 54 e às vezes não
cabia, hoje passei para 44. Eu curso odontologia, e a
auto-estima melhorou muito. Você se sente confiante, as
pessoas não te tacham um "gordinho simpático", vêem como
você é.
P. Qual conselho você dá àqueles que estão em dúvida
em optar pela cirurgia?
R. O conselho é para que façam a cirurgia o mais rápido
possível, acho que ser gordo não está com nada. É uma coisa
muito difícil de conviver. Quem é magro não tem a menor
noção do que é ser gordo, do que é entrar em um restaurante
e todos olharem o que você está comendo.A auto-estima é
muito baixa, causa depressão, e você come mais, buscando
compensação. É uma bola de neve. Após a cirurgia passei a
adotar hábitos mais saudáveis. Nesse ano nunca tomei
refrigerante ou cerveja, e não sinto falta. Tomo suco
natural.Acho que precisamos caminhar para frente e tudo o
que fazemos para melhorar é válido. Temos que buscar
qualidade de vida, vontade de viver.Hoje me olho no espelho,
visto as roupas que usava antes e não me reconheço. Não
consigo mais me lembrar disso. Apaguei da memória. Hoje subo
escadas correndo, o que antes não fazia. Em resumo, vivo
feliz! |
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