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Entrevistas :: Pacientes GOC -
Gastro Obeso Center |
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Entrevista
P. Como era sua vida
antes e agora, depois da cirurgia?
R. A mudança é radical e bárbara. Fui para a cirurgia
pois não agüentava mais. Tinha dor forte nos quadris,
tinha apnéia obstrutiva (deixar de respirar no meio do
sono) muito forte, hipertensão... Chegar a um local e
ver uma escada para subir desanimava; o coração já
batia em ver, imagine então ao subir!
P. O seu aumento de peso como aconteceu? Foi
paulatino?
R. Sim foi. Começou em 1984, quando me casei pela
primeira vez. Tudo era motivo para comer: felicidade,
tristeza, euforia... ia lá eu e desembocava na comida.
Casei, comecei a comer mais; separei, comi ainda mais;
problemas no emprego, mais e mais... e assim foi indo
o processo até eu chegar a um peso insuportável. |
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Além disso, fumava cerca de 4 maços de cigarro por dia.
Quando resolvi parar, de repente, fui compensar também na
comida. É o mesmo princípio do alcoólatra; mas, como não sou
de beber, ia tudo para a comida; sem limite.
P. O que você quer dizer em comer sem limite?
R. Comer para valer. Por exemplo: numa rodada, comia 5 potes
de 2,5 litros de sorvete de variados sabores,
com a minha barriga servindo de
mesinha... Ficava me deleitando, por mais de uma hora,
comendo sorvete, com todas as coberturas possíveis e
imagináveis, bem enfeitado. Na verdade, além de satisfazer a
vontade, ele tinha um aspecto convidativo para satisfazer
meus olhos também. Quer dizer que além de gostoso era bonito
de se ver. Era um prazer indescritível.
P. O que você quer dizer em
comer sem limite?
R. Comer para valer. Por exemplo: numa rodada, comia 5 potes
de 2,5 litros de sorvete de variados sabores, com a minha
barriga servindo de mesinha... Ficava me deleitando, por
mais de uma hora, comendo sorvete, com todas as coberturas
possíveis e imagináveis, bem enfeitado. Na verdade, além de
satisfazer a vontade, ele tinha um aspecto convidativo para
satisfazer meus olhos também. Quer dizer que além de gostoso
era bonito de se ver. Era um prazer indescritível.
P. Quando se decidiu pela cirurgia, qual era o seu
peso?
R. 230 Kg e agora estou com 160Kg; ou seja, perdi, em cinco
meses, 70 Kg.
P. E como era o seu dia-a-dia? Como eram adaptados
os móveis e objetos de seu cotidiano?
R. O vaso sanitário, por exemplo, era bastante reforçado.
Ficava desesperado em ter de me utilizar de vaso sanitário
fora de casa. Tinha medo de quebrá-lo. Minha cama é especial
pois me cansei de dormir no chão. Rompi dois assoalhos de
automóvel e tive de colocar reforço e solda especial.
P. Então, além do custo com alimento, remédios, você
também tinha um alto gasto com móveis e objetos especiais.
Certo?
R. Sim. Sem dúvida! É muito caro decorar o ambiente de um
obeso severo como eu e, principalmente, achar um espaço
amplo para se poder viver. Em casa reforcei tudo, mas os
sofás, por exemplo, que não tiveram sua base reforçada
estão, apesar de semi-novos, bem acabadinhos...
P. E nos ambientes públicos?
R. Nos cinemas, por exemplo, só assistia ao filme sentado
nos degraus da escadaria; não havia nenhum outro lugar que
pudesse me sentar e curtir o filme tranqüilamente. Era um
verdadeiro martírio. O que para uns é algo normal, um lazer
agradável, para mim era um sofrimento terrível.
P. O que o levou à resolução da realização da
cirurgia e, em especial, com o Prof. Dr. Bruno?
R. Em relação ao Prof. Dr. Bruno, li, numa uma matéria sobre
o assunto em uma revista onde ele concedia uma entrevista
clara, abrangente e interessante. Houve uma empatia na hora.
Bati o olho na matéria, na foto, gostei muito e resolvi
então marcar a consulta.
Ao marcar a consulta, o professor, com jeito acolhedor e
seguro, relatou a mim todo o meu quadro e as soluções.
Conseguiu convencer-me na hora. Saí da clínica tão
emocionado que não sei ao certo como consegui chegar em
casa. Certamente devo ter atrapalhado um monte de gente no
trânsito. Só me lembro da hora em que entrei em casa,
abracei minha filha mais nova e comecei a chorar
compulsivamente (emociona-se nesta parte da entrevista).
P. Há quanto tempo se submeteu à cirurgia?
R. Há pouco mais de cinco meses. Acredito ter sido, até
agora, o paciente mais gordo da clínica Gastromed e, em
particular, do Prof. Dr. Bruno.
P. Qual dos três tipos?
R. A minha cirurgia foi a "capela", aquela em que se tira,
falando popularmente, um pedaço do estômago. Me deixaram com
o volume estomacal de 35 ml.
P. O que mudou em sua vida após a cirurgia?
R. Fico de pé, por causa de meu trabalho (tenho um posto de
gasolina), muitas horas por dia. Agora consigo ficar sem
dor. Minha vida sexual melhorou muito, nem dá para
quantificar. Outros prazeres pequenos, como poder alcançar
partes de meu corpo que, por anos, apesar de pertencerem a
mim, eram desconhecidas... Você não imagina que prazer
indescritível é este de você ter novamente esta liberdade
(emociona-se novamente). A cada dia descubro um prazer
diferente. Posso entrar em qualquer carro, até de duas
portas! Retirei, há pouco, o aparelho necessário para dormir
por causa da apnéia. Poder brincar com meus filhos, deitar
no chão com eles, passear sem que eles fiquem constrangidos
em estar ao meu lado. Simplesmente dar uma volta a pé. Que
delícia! Estou vivendo momentos que imaginei nunca mais
poder viver... Não tenho como agradecer todos os envolvidos,
todos que cuidaram de mim e que me trouxeram novamente à
vida. |
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