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Hamilton José Maluf

 
Entrevista

70 anos: uma vida inteira obeso até realizar a cirurgia da obesidade

P. Qual é o seu histórico? Que cirurgia senhor fez ?
R. Eu fiz a cirurgia da banda, a colocação do anel. Isso foi em decorrência de ordem do cardiologista.porque já operei o coração e, como não emagrecia por bem, então teria que ser “por mal”. O próprio cardiologista era contra a cirurgia do estômago porque ele achava que eu deveria fazer um esforço para emagrecer, mas não adianta, quem se acostumou com uma mesa farta, não vai “manerar”... pode manerar um dia, uma semana, depois volta ao que era antes. O “efeito sanfona” era constante. Então optei pela clínica e fiz a operação.
 
P. O sr. chegou a pesar quantos quilos ?
R. Quase 140 kg.

P. O senhor estava com problemas de saúde ?
R. Na verdade, a grande preocupação era o coração e as conseqüências paralelas. Além disso, sentia indisposição, preguiça, dores no joelho, nas pernas. Hoje não tenho esses problemas.

P. Seu histórico de obesidade vem desde a infância ?
R. Desde os 14 anos. Até essa idade, eu era magérrimo e de repente eu engordei. Não sei se por excesso de óleo de fígado de bacalhau, que eu tomava por causa da bronquite, ou fortificante. Eu engordei muito e o crescimento desigual levou ao tratamento da tireóide. Com isso, comecei a emagrecer e ter um desenvolvimento proporcional. Antes eu era gordo, mas era desproporcional.

Ao longo da minha vida, fiz todos os tipos de regime, o melhor deles foi a reeducação alimentar através do “Vigilantes do Peso”, mas eu também parei.

P. Então na sua vida toda sempre existiu essa preocupação constante com o peso ...
R. Sempre! Para o gordo não existe opção de roupa, a menos que se tenha muito dinheiro. A pessoa comum não encontra roupa no seu tamanho, no seu gosto. E quando acha o tamanho, tem que escolher o que tem à disposição e, geralmente, roupa de obeso é feia. Essa demanda é pequena, por isso as confecções não fabricam, só fazem aquelas roupas horríveis que parecem “roupa de presidiário”.Hoje, já consigo comprar roupas prontas sem preocupação, apesar de não estar mudando meu guarda-roupa ainda, porque a meta foi de 40 kg e estou a caminho.

P. Como está sua saúde agora ?
R. A saúde está ótima. Eu já dormia bem, agora durmo melhor ainda. Mas se perguntar se foi fácil....não foi. Eu costumo dizer que não existe parto sem dor. Hoje eu tenho minha banda bem fechada, porque depois da operação ela ficou muito aberta e eu passei três ou quatro meses sem emagrecer.

P. E o senho comia a mesma quantidade de antes ?
R. Não. Eu comia talvez menos da metade que antes da cirurgia, mas não emagrecia porque eu comia de tudo, doce, gordura. Conforme orientação do médico, nada era proibido. Até o ponto em que eu falei para o Dr. Almino que se eu precisasse fazer regime eu não precisaria ter operado. Então ele fechou bastante minha banda, tanto que em dois meses eu perdi quase 16 kg. Eu perdi o prazer em comer, eu tenho medo de comer, porque posso vomitar. Mesmo comendo pouco, a comida volta. Eu ainda não consigo determinar essa quantidade. De acordo com o Dr. Almino, eu tenho ½ xícara de chá de estômago.

P. Quanto tempo o senhor demora nas suas refeições?
R. Se for alimento sólido, uns 15 minutos no máximo. Quando é uma sopa, por exemplo, demora um pouco mais por causa do volume, da quantidade. Porque se eu comer rápido, eu sinto travar a boca do estômago, e dói. No meu caso também, o líquido ingerido junto com a comida provoca o vômito imediato. Você tem que ir aprendendo aos poucos, de acordo com seu organismo.

P. Sr. Hamilton, uma mensagem às pessoas que passam por esse problema e não sabem o que fazer
R. Eu perdi boa parte dos prazeres da minha vida porque até então não existia uma solução final e eu acho que a operação do estômago é uma solução final. Eu aconselho a quem é obeso: não faça mais regime, porque é um sofrimento. A pessoa fica restrita a verduras, legumes e com a cirurgia acaba tudo isso. A operação do estômago foi um “santo remédio”, uma grande saída para o obeso. Já o regime não vai levar a nada, se for mal feito leva a um enfraquecimento paulatino, com conseqüências graves. Fazendo a cirurgia você não tem nada a perder. Eu como de tudo, mas aquilo que cabe no meu estômago. Nada é proibido, essa é a grande vantagem da operação. Você obtém resultado imediato e mantém uma vida muito mais saudável, muito mais alegre.
 

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