Partes do intestino que
não poderiam ser vistos e doenças que não poderiam ser
diagnosticadas via exames proctológicos e gástricos,
agora podem ser conhecidos por conta deste aparelho que
lembra muito o filme “Viagem Insólita”: a cápsula
endoscópica. Trata-se de um pequeno e completo
equipamento – do tamanho de um comprimido comum - que é
ingerido pelo paciente e transmite, por ondas de rádio,
sem necessidade de nenhum tipo de fio ou cabo, imagens
de todo o aparelho digestivo que são enviadas para
sensores presos no abdômen do paciente e daí para um
pequeno computador formando, ao final, um filme de oito
horas.
A cápsula passa da boca para o esôfago, chegando ao
estômago, duodeno, intestino delgado e intestino grosso.
É no intestino delgado que a cápsula tem sua mais
proveitosa aplicação, pois ela cobre todo o intestino
delgado que, até então, não poderia ser visualizado com
tal precisão pelos métodos tradicionais.
Radiografias, tomografias, ressonância magnética e
endoscopias especiais são exames tradicionalmente feitos
para visualizar de intestino. Dentre eles, a
enteroscopia, por exemplo, consegue visualizar somente
entre 120cm e 180cm; ou seja, cerca de 4 a 6 metros
ficavam sem visualização. Com a cápsula estas partes
também poderão ser visíveis. Para a realização da
enteroscopia, que dura cerca de uma hora, é necessária a
sedação e até anestesia que deve ser realizada em
ambientes cirúrgicos.
“Com a cápsula endoscópica é diferente”, explica o
médico gastroenterologista Manoel Galvão Neto (da equipe
do Dr. Almino Cardoso Ramos e do Hospital Nove de
Julho). “Ela é siliconizada e de fácil ingestão. Antes
do exame é necessário um jejum de 8 a 12 horas como a
endoscopia, mas o paciente pode ter uma vida normal
durante todo o exame”, complementa.
A cápsula foi desenvolvida em Israel e trazida ao Brasil
em dezembro de 2001 pela equipe do Hospital Nove de
Julho, da qual Galvão pertence e foi o primeiro a
realizar o exame no Brasil. “Formamos uma rede chamada
Rede Brasil de Cápsula Endoscópica, onde o custo da
cápsula é diluído e o colega adquire só o cinturão (de
captura de imagem), podendo fazer o exame nos mais
distantes locais do Brasil”, relata o
gastroenterologista ao ser questionado a respeito do
custo do exame. Segundo ele, o objetivo é atender o
maior número de pacientes ao custo mais baixo possível
para diagnosticar doenças (algumas graves) que muitas
vezes não podem ser analisadas.
A maior indicação para o uso da cápsula é para pacientes
com hemorragia digestiva oculta, onde métodos
tradicionais não encontram a causa do sangramento. É
indicada também nas doenças inflamatórias intestinais,
todos os tumores do intestino, enterites, enfim, tudo
que afete, principalmente, o intestino delgado.